O dia amanhece no filtro de papel
Na claridade do óculos dentro da bolsa.
Acorda qual um camelo estrábico
E um querubim paralítico.
O dia amanhece logo depois da veneziana
Um pouco aquém do sujeito que observa
E além daquilo que é percebido.
Acorda como um risco no vazio
Criando espaços que não existem
Ou fingem existir por pura insistência.
O dia amanhece num sol maduro
Prestes a ser colhido
Espremido até o caldo.

