quinta-feira, 3 de maio de 2007


Os olhos da lua miam
No telhado da escuridão.
Os olhos da lua enganam
E inventam metafísicas.
Os olhos da lua sangram
E avermelham o firmamento.
Enlouquecem as pedras
E arrepiam o pensamento.
São furacões de saias
Beijos brancos no varal
Cópula transcendental.
Os olhos da lua confundem
E criam as anarquias
Vestem as coxas com teias
Disfarçadas em meias.
Os olhos da lua uivam
Como o cio de gata vadia
São lentes bifocais
Que clareiam a noite
E escurecem o dia.
São sacralidades obscenas
Equação sem fórmula
Química sem elementos
Língua sem fonemas.
São olhos-mágicos
Espiando as meninas

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